terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Grupo de jovens em voluntariado

O grupo de jovens da nossa paróquia aceitou um desafio muito especial: dispensar alguns dias das férias de Natal num centro de assistência a pessoas com saúde mental.
No domingo, saímos da Barosa até à Casa de Saúde do Telhal. Neste centro vivem mais de 450 pessoas com as mais variadas limitações. Até terça-feira, divididos em grupos, fomos conhecendo estas pessoas não apenas nos seus limites, mas em tantas virtudes e capacidades que nos iam surpreendendo. Ajudámos a servir as refeições, fomos passear com eles, conversámos, jogámos dominó ou futebol... ou simplesmente dissemos 'olá' e lhes demos um pouco de atenção.
Foi precisamente esta relação que nos mostrou que a dignidade das pessoas não se mede pelo diagnóstico de um psiquiatra, mas simplesmente porque aquela pessoa é filha de Deus, dotada do maior dom que Deus ofereceu a cada ser humano: o dom de amar e sentir-se amado.
E estes homens sabem bem o que é amar. Surpreendem-nos com gestos, palavras e atitudes que nos desarmam e que nos fazem sentir amados.
Mas além de saberem o que é amar, também precisam de se sentir amados. A nossa missão foi, exactamente, fazê-los sentir amados. Procurámos ser a presença da misericórdia de Deus para eles.

Aqui fica o testemunho da Mónica:
Dar (-se)
Dia 27 de Dezembro de 2015, o grupo de Jovens da Barosa, saiu de Leiria rumo ao Telhal para uma experiência de voluntariado proposta pelo nosso Pe André.
Mas que raio de coisa é o Telhal?  Uma Casa de Saúde para doentes “pediátricos”? (crianças) Pensaram alguns de nós…
Não. É uma Casa de Saúde da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus e que se dedica a prestar cuidados de saúde e apoio social a doentes do foro psiquiátrico, sim, psiquiátrico, mais conhecidos por doentes mentais, malucos, loucos, doidos e toda a panóplia de nomes com que vulgarmente classificamos estas pessoas…
Assim que chegámos, fomos recebidos pelo grupo de jovens do pré-seminário de Leiria, que também se encontrava a fazer voluntariado por lá nestes dias, e pelo Sr Fernando, Assistente Espiritual daquela Casa, que, através de um rabisco numa folha de papel, nos mostrou que aquelas pessoas com as quais iríamos conviver ao longo destes dias, eram muito mais do que um borrão numa folha em branco, mas todo um universo de oportunidades para explorar.
Com esse sentido de descoberta e partilha, fomos distribuídos pelas diferentes unidades do centro (unidades são diferentes edifícios onde os utentes são distribuídos conforme o seu grau de patologia e dependência). E são elas: Frei Júlio, S. João de Deus, Sto António, Sto Agostinho, Sagrado Coração de Jesus e S. Rafael.
O nosso primeiro contacto foi à hora da refeição e quando regressámos às nossas instalações, o sentimento de impotência e desespero era geral (alguns de nós até queriam voltar para casa), mas mais uma vez, o Sr Fernando, com as suas sábias palavras, nos mostrou que para criar relação com os utentes, temos de abrir o nosso coração e deixá-los entrar, e igualmente deixarmo-nos levar pelo carinho que eles têm para connosco, saber os seus nomes, ouvir as suas histórias, por mais disparatadas que pareçam, partilhar com eles o nosso tempo e a nossa atenção.
No dia seguinte, depois do pequeno almoço, fomos para as nossa unidades, um bocadinho sem saber o que iríamos fazer. Mas ao chegar as coisas fluíram naturalmente e passado algum tempo, já estávamos a jogar dominó, futebol, a conversar ou simplesmente a passear até ao bar com os nossos novos amigos. Com o passar do tempo fomo-nos apercebendo que os nossos pequenos gestos, para aquelas pessoas, têm muito valor e que é preciso tão pouco para sermos e fazermos os outros felizes…
No último dia, o balanço não podia ser melhor. Tínhamo-nos deixado cativar como fala no livro do “Principezinho” de St Exupery, e o que é cativar?! É criar laços, e foi isso de fizemos nestes dias, criámos laços de amizade e de carinho com aquelas pessoas e que alguns de nós até nem se importavam de os trazer para casa, porque não foram apenas eles que foram cativados, também em nós e no nosso coração, cresceu o espírito do amor e do serviço aos outros.
O Natal é isto mesmo dar e receber mas principalmente e de uma forma mais plena, dar-se

Mónica Costa


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